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. Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008 .








Quando chover, não saia de casa. Isso deveria ser uma campanha nacional, financiada pelo Governo, para evitar a proliferação de malucos.
Mas o que a chuva tem a ver com a insanidade mental das pessoas? É simples! Quanto mais chuva, mais táxis circulam nas ruas, taxistas são malucos por natureza - e isso não precisa de maiores explicações -, e por algum motivo gostam de conversar com pessoas que só respondem “aham“, “putz!“, “é f*da“, “é… complicado” e outras variações. Prestem atenção no diálogo que vou descrever abaixo:
- Passo por esse caminho aqui todo dia.
- É…
- Tem uma mulher, que busco todo dia e trabalha no banco Real mais ali na frente.
- Aham.
- Vou te mostrar o prédio, não tem nada dizendo que é do banco Real, ela diz que é pra não assaltarem, porque lá mexem com compensação de cheques, carregamento de dinheiro e essas coisas. ‘Cê vai ver só, o prédio é um prédio normal, se não falarem, você acha que é um prédio comum.
- Uhum.
- Tem uns seguranças que ficam ali na frente, disfarçados… Ali ó, ali o prédio. Tá vendo aqueles caras de branco ali? Tudo PM, trabalhando de segurança disfarçado. Tem uns três que ficam ali na frente, e mais dois que circulam pela rua, pra lá e pra cá, sem contar as câmeras de segurança na porta do prédio e do outro lado da rua… A mulher que eu busco lá no Méier e trago pra cá todo dia, que me contou. Legal, né?
- Bastante.
—–
Certo. Das duas uma… Ou a mulher está planejando um assalto e já decorou todo o esquema de segurança, ou o taxista queria um parceiro pra realizar esse plano. Não vou nem comentar as bandálias que ele fez para me levar onde eu queria, e muito menos o fato de que ele buzinou para todas as mulheres que passaram perto do carro.
Depois disso, assisti a aula de 3D e achei que tudo fosse transcorrer normalmente, mas foi só eu entrar no ônibus que o motorista virou pra trás e disse: “Não vejo a hora de chegar em casa e comer a minha vizinha, parceiro!“, eu olhei pra trás e pensei que ele estivesse falando com o trocador (ou cobrador) mas não, porque era uma trocadora (ou cobradora) e eu fiquei sem resposta, afinal nem sabia quem era a vizinha dele. Esqueci de mencionar que o motorista estava fumando, mesmo com um aviso de proibido fumar em cima da cabeça dele, mas esse era o menor dos problemas de quem entrasse naquele ônibus. Complicado mesmo era aturar os cinco amigos bêbados que riam e berravam durante toda a viagem. Aliás… Engraçado foi quando o motorista estava distraído, observando as prostitutas do Centro da cidade, e não percebeu um passageiro que correu quase a rua inteira para entrar no ônibus, e ficou batendo na porta. Quando finalmente o motorista abriu a porta, o passageiro ficou rindo (pois estava mais bêbado que os outros bêbados que já estavam no ônibus) e, por mais incrível que isso possa parecer, ele disse que o motorista estava certo, que não tem que abrir a porta fora do ponto, e que ele mesmo (que trabalha em um posto de gasolina) não dá informações quando pedem, e nem calibra pneus, pois já tem que fazer o serviço pelo qual recebe o salário, e não acha certo gastar tempo ajudando os outros, fazendo coisas que não são suas obrigações. E não, ele não estava sendo irônico, pois, como todos sabemos, o álcool acaba com 90% da ironia de qualquer pessoa.
Enquanto ele conversava (ou melhor, berrava) com o motorista, os outros bêbados cantavam algum tipo de hino asteca, ou conversavam em aramaico, tanto faz, não dava pra entender uma simples palavra que eles diziam. Quando finalmente desci do ônibus, o motorista ainda falou “Boa noite, parceiro! Tô indo pra casa, dar um trato naquela vizinha gostosa! Tomara que o marido dela não apareça” e foi embora. Realmente, não deve ter graça “dar um trato” na mulher do seu vizinho e não poder contar pra ninguém.





* lelek0 _____ 11:55 AM