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. Segunda-feira, Agosto 24, 2009 .

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Estagiários. Isso só pode ser coisa de estagiário.



Rio Branco quer acabar com Rua Lei Áurea. Percebam que, nesse contexto, você praticamente ignora a palavra “Rua“, afinal estão falando sobre a Lei Áurea, sobre o fato dos negros não terem acesso às mesmas oportunidades… Aí vem um estagiário engraçadinho e coloca a frase: “Rio Branco quer acabar com Rua Lei Áurea“.
Branco quer acabar com Lei Áurea, esse é o sentido que ele quis que você entendesse, percebeu o trocadilho?

Pra que isso? Técnica pra chamar atenção, né? A matéria, na verdade, é sobre a Prefeitura de Rio Branco, que quer acabar com a rua por conta do risco de erosão e deslizamentos.





* lelek0 _____ 1:51 PM

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. Segunda-feira, Agosto 17, 2009 .

Na manhã, a primeira coisa que se ouve são os passos decididos de Martinha, escada acima. Vai com uma sede que só homem pode matar.

Ela bate, e Petrônio a manda entrar com a voz de sono. A primeira visão que ele tem ao acordar faria o cético mais encarniçado balançar nas suas bases. Era Martinha no lastro da porta, e seu corpo ficava ainda mais dourado na contra-luz das seis e meia. Isso sem falar da blusa amarrada com aquele nozinho infame, deixando transparente só o bastante para imaginação trabalhar; e o short, uma tira de pano que se muito tinha quatro dedos de crueldade. Pois era ela, com todo o seu poderio de carne e vontade, pra cair em cima de Petrônio assim que ele escovasse os dentes.

É sem tomar café mesmo - e tem café da manhã melhor? Com dois pulos ela está debaixo do lençol, pronta para ser torcida, virada e revirada, arrepiada até as sobrancelhas. Petrônio nunca resiste, apesar de andar meio enjoado. Ela também já está enjoada disso, e dele, mas àquela hora, e àquela gastura, vai com o que tem a mão, e que mão, e que boca, e que tudo. Petrônio se perguntava se uma pessoa de dezoito anos já teria vivido o suficiente para aprender tanta coisa. Quase milagres. Milagres de um amor barato, num hotel barato com o parceiro barato. Martinha achava isso melhor do que ficar até a hora do almoço ouvindo história de chifre na manicure.

Nove da manhã e Martinha sai do quarto de Petrônio com o cabelo molhado, cheirando a uma lavanda esquecida ali pelo hóspede anterior. Depois de transformar o colchão num charco de suor, de se lambuzar inteira de alegria e de se sujar até a alma, ela não poderia sair daquele jeito, mesmo contente. Voltava rápido para acalentar com todo amor do mundo o filho da patroa, que jurava que ela ainda não tinha dado o primeiro beijo. Martinha era assim, batia na mãe, tirava dinheiro do avô, e trepava com o meio-irmão sem perder um segundo para hesitar.

* lelek0 _____ 9:56 PM

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. Segunda-feira, Agosto 10, 2009 .


O método Susy

Depois da desilusão, do desalento, e da vontade de morrer, Susy emergia reconfortada. Parecia alguém que dormia durante um filme e acordava de repente: "perdi alguma coisa?". Ia tomar café com a cara meio amassada, os olhos ainda inchados, rindo até da toalha da mesa e do formato dos pãezinhos. A família nem estranhava mais aqueles comportamentos. Afinal, ela acabava alcançar uma marca notável: era a décima desilusão amorosa em dez anos.

Suas amigas eram sempre relutantes, não abriam um milímetro do coração sem que hesitassem bastante, e isso quando abriam. Susy, não, se escancarava logo. Em poucas semanas já estava cheia dos eu te amos, escolhendo o nome dos filhos, pensando o feitio da casa, essas coisas. O problema era que, com mais uns meses, o namoro, por mais firme que estivesse, acabava subitamente. Parecia maldição, praga de viúva, karma ruim, vai saber. Sempre, lá pelos nove, dez meses, quando ela enfim atingia os píncaros da paixão desenfreada, aparecia algo que causava um abalo no namoro, e tudo desmoronava logo seguida. E o que vinha depois desses finais também tinha a duração conhecida, quase cronometrada. Os dois meses após o rompimento eram uma treva só: muito choro, caixas de lenço, dores de estômago, fraqueza, desânimo, mais choro, e vários outros efeitos colaterais de uma depressão repentina.

No mês seguinte, Susy limitava-se a juntar os caquinhos de si, tentando retomar a vida, tentando não ceder às lembranças das sensações e dos sonhos que pareciam tão eternos, e como é sempre doloroso ter isso tudo arrancado depressa. Daí, no quarto mês após o término do romance, Susy estava outra, estava nova, de volta à ativa, pronta para o ataque ou para ser atacada. Antes da metade deste mês, ela já iniciava conversas com um novo pretendente, e aí o ciclo recomeçava. Suas amigas a tinham como uma verdadeira louca, sem um pingo de amor-próprio, isto porquê ninguém sabia o que ia pela sua cabeça. Desde sempre tendo problemas com a balança, Susy descobriu na sua primeira desilusão que emagrecera mais naqueles meses de tristeza do que numa vida toda de dietas. É, o raciocínio era meio suicida, mas no fim valia a pena. Quando se curava totalmente, ela estava uns quilinhos mais magra, mais linda e mais gostosa, o que tornava os recomeços cada vez mais fáceis.




* lelek0 _____ 12:26 AM

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